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domingo, 29 de setembro de 2013

Resenha: Motivação 3.0

O novo sistema operacional baseado em Autonomia, Excelência e Propósito

Este livro me causou várias sensações diferentes. Da primeira vez que o vi na livraria, achei o título chamativo, fiquei na dúvida se seria "embromation" demais. Estava caro, não comprei. Meses depois o vi novamente, estava em promoção com 50% de desconto. Na mesma semana eu o  havia visto na mesa e um colega de trabalho. Não resisti.


Apesar do título meio "marketeiro", Dan Pink cita vários estudos e experimentos tentando nos convencer da sua tese principal: "Quando se trata de motivação, existe uma defasagem entre o que a ciência já sabe e o que as empresas praticam". Recompensas e punições (Cenouras e Chicotes) funcionam apenas em cenários muito restritos, em trabalhos mecânicos e rotineiros. Precisamos de um upgrade nesse sistema atualmente baseado em motivadores externos (eXtrísecos). O novo sistema operacional é baseado em motivados Intrisecos, internos, e possui 3 elementos básicos: Autonomia (o direito de escolher o que fazer, como, quando e com quem), Excelência (o desejo de fazermos cada vez melhor) e Propósito (um significado maior do que nós mesmos, além de apenas lucro).

Motivação 3.0 não nos dá um receita pronta. Acabei de ler o livro e fiquei (ainda estou) matutando por dias. Ele questiona tudo aquilo que acreditávamos que funcionava. Dan Pink nos mostra que recompensas ou punições aplicadas  em cenários não apropriados tem efeito contrário, prejudica o desempenho. As recompensas "Se, Então" (depois de concluído o trabalho, se tiver feito isso, ganhará aquilo) devem ser substituídas por "Agora que" (uma vez que terminou esse trabalho notável, vamos reconhecer sua conquista). Ao final do livro, é feita uma ótima sintese das principais ideias. Também existe uma compilação de 15 livros sugeridos, para aprofundarmos no tema, e um teste para saber se nosso comportamento é mais guiado pelo Tipo I (somos motivados mais por fatores intrínsecos) ou Tipo X (motivados mais por fatores extrínsecos).

Confira o próprio Dan Pink expondo suas ideias numa palestra de 18 minutos do TED Talks. E dê boas vindas às minhocas que podem passear pela sua cabeça.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Software Livre: Caridade?!

Às vezes percebo, naqueles que pouco ou nada conhecem (e portanto não compreendem) o Software Livre (SL), uma certa discriminação. Para esses é difícil compreender que não se trata de uma questão de caridade, embora alguns realmente se colocarem como "fanáticos religiosos". Executivos resistentes precisam começar a enxergar que os modelos de negócio estão mudando. Existem outras formas de ganhar dinheiro (consultorias, treinamentos, serviços de valor agregado), além de vendendo licenças de um produto proprietário.

Não é à toa que muitas empresas tem bancado seus funcionários para trabalharem tempo parcial (às vezes, total), em projetos de código aberto. Ou até, como aconteceu com o Eclipse, simplesmente "doam" milhares de linhas de código, atribuindo uma licença livre ao seu software. A Sun seguiu o rastro, comprou a empresa que construiu o NetBeans e vem investindo pesadamente nos últimos anos. Não satisfeita abriu o Java como GPL e recentemente comprou a MySQL por 1 bilhão de dólares (veja em seu blog o que o próprio CEO fala sobre a aquisição). Quem ganha com a competição? Nós, desenvolvedores, com certeza. Mas você acha que eles não?!

Eric Raymond diz que "Para resolver um problema interessante, comece achando um problema que é interessante para você.". Pode parecer um pouco egoísta, mas faz bastante sentido. Se eu resolvo cooperar com algo é porque tenho interesse naquilo, serei beneficiado com os resultados. Não lhe parece lógico que a maioria dos desenvolvedores do Linux sejam também usuários? Quem ganha se o Linux evoluir rapidamente? Em primeiro lugar, eles próprios!

Apresentando essa visão "interesseira" não estou, de forma alguma, minando o princípio da colaboração e ajuda mútua. É claro que também tem muita gente imbuída - e isso deve ser louvado - do espírito social e investem seu tempo em fazer algo em benefício do próximo. Mas, no mundo do software, minha impressão (principalmente com relação à Bahia) é que, em geral:

1) Ainda somos "sanguessugas" - queremos usar SL, mas pouco contribuímos. Queremos participar de eventos, mas não ajudar a organizar.
2) Desenvolvedor é um "Ser Oso" - orgulhoso, vaidoso e teimoso. Tende a se achar melhor do que os outros, não gosta de receber crítica e termina "fazendo do meu jeito que é melhor". Conclusão: Retrabalho e pouca colaboração.
3) Gastamos muito tempo precioso - ninguém reclama em passar horas no Orkut, MSN ou jogando PlayStation. Nada contra a diversão, mas para participar ativamente de projetos/comunidades livres, "não tenho tempo".
4) Queremos tudo mastigado - vejo isso nas empresas. Muitos esperam sentados que caia do céu um treinamento que, quando chega, "foi muito fraco". Estudar constantemente é essencial e precisa de vontade pessoal. Hoje todo mundo tem no mínimo pós-graduação (falo do "canudo", porque o conhecimento, sei não...). Então, qual o seu diferencial?
5) Somos condicionados a competir, não a colaborar - Na escola, família, colégio, vestibular, universidade, temos que ser "os melhores". Trabalhar bem em equipes, sem subir nas costas dos outros, é um grande desafio. Quando algo dá errado ouvimos "a minha parte está ok" ao invés de "vamos trabalhar juntos na solução".

Então, fica aqui essa análise: De um lado o mundo está mudando e as principais empresas de TIC do mundo estão atentas (e agindo) quanto a isso. Do outro, continuamos como dizia Raul: "com a boca escancarada cheia de dentes, esperando a morte chegar". Profissionais diferenciados, além de todo o know-how técnico, desenvolverão mais cedo as habilidades necessárias para atuar nesse novo cenário. E quando os gerentes perceberem o que está ocorrendo, aí sim as empresas começarão a mudar significativamente.