segunda-feira, 24 de setembro de 2012

10 Livros Para Empresários Emergentes

Há algumas semanas um amigo meu me sugeriu preparar uma palestra, com o objetivo de compartilhar os conhecimentos que tenho adquirido em livros relacionados a negócios e empreendedorismo. Aproveitei para tentar aprender o Prezi e apresentei no último sábado. Aqui vai a minha dica de 10 livros para Empresários Emergentes*. Bom proveito!



Pai Rico, Pai Pobre. Essa pra mim é a pedra fundamental, é a pílula  vermelha do filme Matrix. O autor coloca em cheque o nosso modelo mental de "estude muito, faça faculdade, arrume um emprego, ganhe um bom salário" (o que o "Pai Pobre" dele, o biológico, o ensinou) e mostra que existe outro caminho, o de investir e fazer o dinheiro trabalhar pra você (o que o "Pai Rico", o pai de um grande amigo, o estimulou a aprender). De uma forma romanceada, Robert Kiyosaki vai nos apresentando conceitos básicos de Educação Financeira, como a diferenciação de Ativo e Passivo. Foi a partir desse livro que eu comecei a enxergar que existe outro caminho.
 

Wikinomics. Foi o livro que me motivou a escrever este blog. Trata de colaboração. Inverte a lógica de que a gente tem que proteger todas as informações. Don Tapscott mostra um pensamento "Ganha-Ganha" que faz com que a inteligência que está fora da empresa possa fazer parte da rede. Ele dá vários exemplos concretos, a começar com uma mineradora que estava à beira da falencia e que abriu todos os seus estudos na internet, agregando colaboradores das mais diversas especialidades, simplesmente usando o princípio "nos ajude a encontrar ouro, que você ganhará uma parte dos lucros". Fantástico.


Trabalhe 4 horas por semana. Esse foi indicação do amigo Bruno "Javaman" Souza. É um livro meio fantástico, de um cara cujo princípio é "pra que deixar para curtir a vida só na aposentadoria? crie um negócio que não dependa 100% da sua presença física e aproveite agora!". Timothy Ferriss mostra várias estratégias de como fazer isso (por exemplo, contratando secretárias na Índia, lendo e-mails apenas 1 vez por semana) e vai contando suas peripécias pela Argentina (onde virou campeão de Tango) ou pela China, onde virou campeão de Kickbox (usando uma estratégia de superemagrecimento antes da pesagem, readquirindo rapidamente antes da luta e ficando mais pesado que seus adversários). Causa ótimas reflexões, mas não deve ser lido ao pé-da-letra.

Quebra Tudo! Foi  Para Isso Que Eu Vim! E você? Comprei este livro num sebo dentro da Bienal, já na hora da saída. Não me arrependi. Ricardo Jordão é um provocador, tenta nos tirar da zona de conforto, nos fazendo pensar e agir diferente. O fundador da BizRevolution fala de Atitude! Ao invés de sair reclamando por aí a gente pode tomar o controle e nunca se conformar com o status quo. Ressalta a importância de Ser Recomendado pelos clientes aos seus amigos. De reunir uma equipe de profissionais que Discordem com Responsabilidade, ao invés de balançar a cabeça afirmativamente para qualquer coisa. O autor é polêmico, mas o livro cumpre seu propósito. Veja como ele responde a uma crítica da revista Você S/A, dizendo "Queime livros teóricos e abra empresas práticas!".

O Segredo de Luísa. Dei este livro de presente a um amigo que estava abrindo uma loja de artigos esportivos. Gosto da ideia de usar romance para explicar conceitos e é desta forma que Fernando Dolabela conta a história de uma dentista que tem o sonho de industrializar a goiabada artesanal produzida em sua cidade natal. O autor mostra que existe um longo caminho entre uma ideia e sua realização, ampliando nossa visão para os detalhes, sugerindo a simulação de cenários e ressaltando a importância dos mentores, pessoas mais experientes em quem podemos confiar para ajustar os rumos de um negócio emergente. Mesmo sendo questionável a necessidade da elaboração de um Plano de Negócios super-completo, não podemos negar o benefício de pensar nos detalhes e enxergar possíveis cenários.

Problemas? Oba! Gosto do jeito simples e direto que Roberto Shinyashiki usa para escrever. Este livro de leitura rápida nos mostra como um profissional pode rever seus conceitos e reorientar sua carreira para ser um resolvedor de problemas. Ficar rico ajudando pessoas. É uma questão de iniciativa e comprometimento. De chamar a responsabilidade para si. Dicas interessantes, principalmente na escolha de sócios e na montagem de equipes. Se o candidato se esquiva ao menor aparecimento de problemas, fuja dele! Busque se juntar àqueles que chamam a bola pra si e dizem, "deixa comigo". Essa foi a maior mensagem que tirei desse livro.


O Livro Negro do Empreendedor. Adorei esse livro, pois o autor Fernando Trias de Bes sai da mesmice de mostrar casos de sucesso e vai direto ao ponto, elencando 14 Fatores Críticos de Fracasso que podem levar um negócio à falência. A gente aprende muito com os erros de outros, podendo evita-los mais facilmente. Todas as dicas são extremamente válidas, mas pra mim foram mais marcantes a escolha de sócios e funcionários a partir da motivação correta. Ser transparente com os sócios e deixar bem claras as condições de entrada e saída, desde o início. E também criar um negócio que gere fluxo de caixa positivo o mais rápido possível. O melhor investimento que pode ser feito é na própria empresa. Também gostei bastante do alerta que fala da interferência da vida empresarial na familiar, e vice-versa. Livro obrigatório. Veja esta resenha para saber um pouco mais.


Nunca Procure Emprego. Como diz o prefácio, o livro é um tapa na cara. Com uma linguagem irreverente e bem-humorada, o jovem empreendedor Scott Gerber compartilha sua experiencia criando - e fechando - vários negócios. Percebi influencias dos 3 primeiros livros que citei, então as ideias dele não me pareceram todas inéditas. Nem por isso o livro perde a graça, pois a forma de escrita faz ele valer a pena. A principal mensagem pra mim foi "começe pequeno (e se comporte como uma empresa pequena, mas pareça maior do que é), pense grande e cresça rápido". Mais um livro provocante. Se você está P. da vida com sua empresa e/ou chefe, cuidado pra não se arrepender com o que vai fazer depois da leitura. 

Transformando Sour em Ouro. Bernardinho dispensa apresentações. Os resultados das equipes que treina falam por si. Por esta razão eu me interessei em saber um pouco mais sobre ele. Percebi que o trabalho árduo, a disciplina e a atenção os fundamentos básicos estão nos pilares da sua filosofia. O trabalho vem antes do talento, então nada de jogar confetes nas estrelas. De que adianta um excelente atacante se o levantador não colocar a bola "na sua mão"? E o passador, não seria tão importante quanto os demais? Este é um livro sobre liderança e trabalho em equipe, mas de quebra revela detalhes interessantes dos bastidores das seleções feminina e masculina de volei, uma ótima leitura para amantes do esporte e de empresas.

A Arte do Começo. Ainda estou lendo este livro de Gui Kawasaki, mas já passei o olho em alguns resumos e assisti a um ótimo vídeo de uma das suas palestras. São dicas simples e objetivas, nos fazendo focar no que realmente é importante. Criar um mantra (ao invés de gastar tempo escrevendo uma  missão quilométrica que absolutamente ninguém na empresa é capaz de reproduzir), focar em um nicHo específico (não dá para atirar para todos os lados), contratar pessoas apaixonadas pelo que você faz, dentre outras. Começar certo, com o pé-direito, aprendendo com a experiencia e com os erros dos outros pode nos poupar tempo e dinheiro, além de aumentar nossas horas de sono.


* Observe que eu não disse "Os 10 melhores livros" nem "Os livros indispensáveis", por que certamente existe muitos outros que não citei. Apesar disso, não é uma escolha aleatória, pois a leitura de cada um deles fixou alguns conceitos que estão me ajudando na empreitada empreendedorística que estou vivendo, mas que é assunto para outro post.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Bazedral Reloaded!

O Bazedral está sendo adaptado. Chega de focar em Colaboração. Quero falar de Empreendedorismo, compartilhar meu aprendizado, dar dicas para quem está começando seu próprio negócio. Voltarei em breve.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Macarrão com Marshmallow

Eu sei, estou sumido deste blog. Foi proposital. Muitas mudanças acontecendo, em várias dimensões. Estou passando por mais um período sabático, desta vez mais profundo do que o anterior.

Desde o final do ano passado estou com novos desafios profissionais, relacionados a aplicativos móveis para Android e iOS. Temos aprendido muito e agora, mais do que nunca, temos dado valor à prototipação e ao feedback contínuo do cliente. Continuamos usando Agile com bastante sucesso.

Hoje me deparei com esse vídeo sensacional do TED Talk, sobre construção de equipes: "Tom Wujec apresenta uma surpreendente pesquisa sobre o "problema do marshmallow" -- uma dinâmica de grupo simples que envolve espaguete seco, um metro de fita adesiva e um marshmallow. Quem conseguir construir a torre mais alta usando estes ingredientes? E por que um grupo inesperado sempre se sai melhor que a média?"

Divirta-se!



Mais informações em MarshmallowChallenge.com.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

8 Dicas Para Se Tornar Excelente

As 8 dicas de como se tornar excelente e aproveitar as oportunidades são de autoria do Klaus Wuestefeld, autor do manifesto da Computação Soberana e criador do Prevayler.
1 - Torne-se excelente:
Seja realmente bom em alguma coisa. Não fique só choramingando ou querendo progredir às custas dos outros. Não pense que porque você sentou 4 anos numa faculdade ouvindo um professor falar sobre software que você sabe alguma coisa. Jogador de futebol não aprende a jogar bola tendo aula. Ele pratica. Instrumentistas geniais não aprendem a tocar tendo aula. Eles praticam. Pratique. Chegue em casa depois do trabalho e da aula e pratique. No final de semana, pratique.
Crie seu próprio virus, seu próprio jogo, seu proprio SO, seu próprio gerenciador de janelas, seu próprio webserver, sua própria VM, qualquer coisa. Varias coisas.
Nao precisa ser só programação. Pode ser networking, vendas, etc. Só precisa ser bom mesmo. Tenha paixão pela coisa.
As melhores praticas do mercado são polinizadas primeiro nos projetos de software livre. Aprenda com eles.
Discípulo, viajante, mestre: Primeiro seja um discípulo, tenha mestres locais, aprenda alguma coisa com alguém realmente bom, qualquer estilo. Depois viaje, encontre outros mestres e aprenda o estilo deles. Por fim, tenha o seu estilo, tenha discípulos, seja um mestre.
Vou fazer o curso da Mary Poppendieck em São Paulo semana que vem e quando tiver o curso de Scrumban do Alisson e do Rodrigo quero fazer também.
"Torne-se excelente" também pode ser chamado de "Melhoria Continua" ou "Learning".
2 - Não seja deslumbrado
Desenvolvimento de software é a mesma coisa há 60 anos: modelo imperativo. Há 30 anos: orientação a objetos. Bancos de dados relacionais: 30 anos. ("Web", por exemplo, não é uma tecnologia ou um paradigma. É meramente um conjunto de restrições sobre como desenvolver e distribuir seu software).
Não corra atras da última buzzword do mercado. Busque a essência, os fundamentos.
Busque na wikipédia e grokke: determinismo, complexidade de algoritmos "O()", problema de parada de turing. Pronto, pode largar a faculdade. Falando sério.
Trabalhe com software livre. Não dê ouvidos a grandes empresas, grandes instituições ou grandes nomes só porque são grandes.
Você acha que vai aprender mais, ter mais networking e mais chance de alocação no mercado trabalhando em par comigo no Sneer por um ano, 8h por semana, ou passando 4 anos na faculdade, 20h por semana, pagando sei lá quanto por mes?
Você acha que vai aprender mais trabalhando em par com o Bamboo 6 meses na linguagem boo e na engine do Unity ou fazendo um ano de pós em "a buzzword da moda"?
"Nao seja deslumbrado" também é conhecido como "Coolness".
3 - Mantenha-se Móvel
Com a demanda que temos hoje no mercado, se você é desenvolvedor de software e não consegue negociar um contrato com uma empresa onde você é pago por hora e pode trabalhar quantas horas quiser com um mínimo de meio período, você precisa rever a sua vida.
É melhor ter dois empregos de meio-período que um de período integral, porque você pode largar um deles a qualquer momento.
Você nunca vai conseguir nada melhor se não tiver tempo, se não tiver disponibilidade para pegar algo melhor quando aparecer.
Você sustenta seus pais e 7 irmãos? Não. Entao para de ser ganancioso e medroso no curto prazo, para de pagar faculdade, mestrado, pós, MBA, sei lá o que e vai aprender e empreender.
Trabalhe remoto. Não é o mais fácil, mas é perfeitamente possível.
Não fique reclamando que está trabalhando demais. Aumente seu preço e trabalhe menos.
4 - Emparceire-se Promiscuamente
Participe de dojos, de congressos, de projetos de software livre. Tenha amigos, colegas, conhecidos. Seja conhecido. Nao faça ruído em seis projetos e doze fóruns. Ajude de verdade em um ou dois projetos de cada vez. Ao longo do tempo, você terá ajudado em vários projetos, trabalhado em varias empresas.
5 - Mentalidade de Abundância
Ajude seus amigos sem cobrar (a "camaradagem" do Vinícius). Dê palestras gratuitas. Cursos gratuitos. Participe de projetos de software livre.
Pare as vezes uma tarde para receber um amigo seu e explicar seu projeto. Vá visitar seus amigos nos projetos deles. Viaje com algum amigo seu pra visitar um cliente dele, só pra conversar e fazer companhia.
Você tem um espaço onde dá cursos? É uma Aspercom, Caelum da vida? Chama os brothers para dar curso. Caramba, bola um modelo em que as pessoas podem se inscrever para cursos variados, pagando um sinal, e mantém tipo uma agenda pre-combinada: "Será numa terça e quinta a noite, avisadas com duas semanas de antecedência".
Se rolar, beleza, se depois de meses não der certo, devolve o sinal. Pode ser curso de Prevayler, de Kanban, de Scrum, de Lean, de Computação Soberana, de Restfulie, de Cucumber, de Rails, de Teste Automatizado Mega-Avançado, qualquer coisa.
Chame amigos seus pra dar curso em dupla com você. Divida clientes. Divida projetos, mesmo que não precise de ajuda.
Dizia o pai de um brother meu de infância: "Tudo que custa dinheiro é barato."
6 - Busque modelos de custo zero
Trabalhe em coisas que tem custo administrativo/burocrático/manutenção zero. Por menos ganho que tragam, depois de prontas, estarão tendo uma relação custo/benefício infinitamente vantajosa.
7 - Ganhe notoriedade
Faça coisas massa. Participe de projetos de software livre. Dê palestras gratuitas. Promova eventos (dojos, debates, grupos de usuários, etc).
8 - Não tenha medo (Por Dairton Bassi)
Meta a cara. Arrisque empreender. Arrisque inovar. O que você tem a perder? No máximo um emprego, mas isso pode ser revertido facilmente em um mercado aquecido como o atual. O pior que pode acontecer é não dar certo. Mesmo assim você terá aprendido muito mais do que batendo cartão.
Saia da zona de conforto. Se o seu trabalho estiver fácil e sob controle, isso significa que ele não está mais agregando para a sua evolução técnica e pessoal.
Não desperdice a chance de trocar de função se a nova oportunidade for mais desafiadora. Isso fará você crescer tecnicamente e o preparará para desafios maiores ainda. Conhecer pessoas novas é tão importante quanto manter-se em contato com código.
Não se detenha por insegurança ou pela sensação de despreparo. Como você acha que vai ganhar experiência em alguma coisa se sempre adiá-la?


Nota de Serge Rehem: Este texto é tão fantástico que resolvi reproduzi-lo aqui na íntegra. Difícil concordar ou discordar 100%, então o melhor é aproveitar para refletir o que estamos fazendo da nossa carreira. Eu não apenas tive a oportunidade de conhecer Klaus pessoalmente no Maré de Agilidade 2011, em Salvador-BA (os vídeos de todas as palestras estão disponíveis aqui), como puder programar em par com ele e mais uma turma de feras. O produto dessa noite foi o http://dontpad.com. Abaixo o vídeo da palestra dele no evento.


Learning and Coolness - Beyond XP from LinguÁgil on Vimeo.

terça-feira, 29 de março de 2011

Entrevista à Rádio Serpro sobre Colaboração

Semana passada fiquei muito honrado ao ser convidado pela Rádio Serpro para uma entrevista sobre colaboração. Foram cerca de 42 minutos de conversa, que editados ficaram com pouco mais de 6. Deve ter dado um trabalhinho...

No podcast abaixo, disponibilizo o papo na íntegra. Falo um pouco sobre o aprendizado que venho adquirindo, praticando e compartilhando neste blog, passando por vários tópicos: colaboração x compartilhamento, aspectos técnico e emocionais da colaboração, coexistencia de competição e colaboração, cultura de colaboração, atitudes individuais + gestão + estruturas organizacionais, web 2.0, trabalho cooperado no serpro, uso de metodologias ágeis, dentre outros.



Se estiver com o tempo curto, tem também a versão "compactada" depois da edição:



Caso tenha algum problema em escutar o podcast aqui no post, pode acessar diretamente minha pagina no podomatic.com.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Os 3(4) Estágios da Mudança: Ignore-os e Permaneça Onde Está

No último sábado, no 1o JavaBahia nas Faculdades em 2011, na Área 1, rolou um unconference muito interessante no estilo FishBowl (que conheci no Maré de Agilidade Fortaleza de 2010). Dentre vários assuntos, o fishbowl é extremantente dinâmico, conversamos sobre a importancia de valorizarmos a "prata da casa", os bons profissionais que temos na Bahia (algo que estavamos fazendo no próprio evento, com dois palestrantes da terrinha). Em contraponto, uma certa apatia que nos faz valorizar mais o que vem "de fora". Foi um papo extremamente rico, apesar de curto. Teremos oportunidade de retorma-lo nos próximos JavaBahia (ou LinguÁgil) nas Universidades, ou mesmo no Maré de Agilidade que ocorrerá na UNEB, em abril.

A palavra chave é AÇÃO. Não adianta ficar se lamentando. O cenário não mudará se ficarmos sentados...

Lembrei que ano passado rolou uma discussão muito boa na lista de usuários do grupo Agile-Bahia, sobre a inércia dos profissionais de TI (se quiser ver a thread na integra, é só se cadastrar no grupo e clicar aqui). Abaixo vai na íntegra a minha contribuição naquela ocasião, que me parece ter tudo a ver com o que estamos falando:

"... Gosto muito de utilizar a técnica dos 3 Estágios da Mudança (não sei onde vi isso, nem tampouco se tem esse nome). É o seguinte, para a gente sair de uma situação e ir para outra, ou seja, MUDAR, são necessários pelo menos 3 passos:

1) RECONHECER que temos um problema
2) Sentir VONTADE DE MUDAR
3) AGIR para viabilizar a mudança

Um exemplo clássico é PERDER PESO. Muita vezes não consideramos nosso sobrepeso como um problema, por isso continuamos engordando. Até que reconheçamos (1) e tenhamos vontade de mudar (2). Só a vontade não basta, são as promessas de fim de ano "vou parar de fumar, vou fazer exercício, vou fazer uma dieta, ...". Passada a ressacada de Reveillon os planos vão pro beleléu.

A nossa INÉRCIA não é so ligada a TI, é característica do ser humano. Acontece, na minha opinião, porque a granda maioria de nós é NÃO TEM NOÇÃO que tem um problema. Que possui uma carreira medíocre, que trabalha numa empresa que não valoriza a criatividade e a inovação, que existe um mundo Agile reforçando a importância da comunicação, das pessoas, do código de qualidade, do produto de SW entregue frequentemente que agreva valor para o cliente. Para elas está tudo bem, vivem FELIZES assim, vão continuar assim e ponto. Temos que respeita-las. "Perdoai, elas não sabem o que fazem"

Algumas pessoas, como aquelas que tem oportunidade de participar de eventos como LinguÁgil e o Maré de Agilidade, estou me atendo aqui ao tema desta lista, começam a reconhecer que as coisas não estão tão bem (1). Algumas sentem vontade de mudar (2) e muitas vezes sequer começam, arranjando desculpas sabotadoras tipo "na minha empresa não dá", "meu chefe é muito antiquado", "meus colegas não vão me apoiar", ..., e por isso não tomam nenhuma ação. Problema: Não são tão FELIZES quanto os do grupo anterior. Eles SABEM que não estão lá muito bem, mas não tem forças para o estágio 3. Eles não tem INICIATIVA e esse é um grande problema especificamente nos profissionais de TI do nosso estado (bom, pelo menos da nossa cidade, que conhecemos mais).

Apenas alguns, um grupo pequeno, restrito, conseguem AGIR para mudar (3). Começam a estudar, praticar, disseminar idéias, entrar em grupos e listas de discussão, se associar com pessoas de pensamentos afins, experimentar formas novas, se reinventar. Se planejam para a mudança, executam, ajustam no meio do caminho. PERSEVERAM. E chegam lá, MUDAM.

Não é fácil atingir e MANTER o estágio desejado, esse seria um quarto estágio. É como no exemplo do PESO, muitas vezes conseguimos atingir nossa meta (ex: perder 30kg), até com ações drásticas (porem mais "fáceis") como cirurgia de redução de estômago. Se não nos mantivermos firmes e DETERMINADOS, porém, podemos dar vários passos retroativos. E recuperar todo o peso perdido em pouco tempo. Da próxima vez será muito mais difícil. Já viram alguem que já reduziu estômago duas vezes? Eu, já."

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Sabático Bazedral - Dando um Tempo sem Sair de Dentro

Eu já havia escutado o termo sabático mas não tinha noção exata do que era até ler a edição da revista da TAM, aproveitando minha ida mais recente a Sampa para o JavaOne Brasil. Das definições que encontrei vou transcrever o trecho abaixo, vinda deste site:

"período para parar e refletir, pensar, descansar, curtir, olhar as coisas sob outra perspectiva e dimensão. Avaliar o que sou e o que eu posso ser, criar uma nova condição para o equilíbrio mental, físico e espiritual. Revisão da alma, oxigenação, se comprometer melhor com a visão que Deus lhe deu. Coragem para perceber o novo."

Em 2010 este blog não foi muito ativo, tenho plena consciencia disso. Sem precisar me afastar do trabalho por tanto tempo (Glória Maria ficou 2 anos nessa, segundo a TAM. Ela $pode$), a não ser para umas viagens (e o Show do Pixies no SWU, não posso esquecer), percebi que de certa forma eu - e o Bazedral - estamos passando por uma fase assim. Tenho lido, escutado, conversado, assistido sobre assuntos dos mais diversos, técnicos e não técnicos. Agile tem sido a ponta do iceberg e o pano de fundo para muito aprendizado, reflexão e mudança.

No trabalho, estou vivendo um excelente momento profissional. Eu, que tanto venho estudando e "laboratoriando" sobre colaboração, acho que finalmente consegui ver resultados realmente animadores. Numa equipe pequena, altamente competente e distribuída (Salvador, Sampa, Curitiba, Manaus, Fortaleza), estamos conseguindo misturar Agile & Open Source para o desenvolvimento de um framework Java, o Demoiselle. Scrum no começo, Coding-Dojos no recheio (tem feito uma grande diferença, leia nesse artigo o porque), começamos práticas de XP (até programação em pares remota com o Saros vem rolando), aumentamos a maturidade em testes. Aprendemos na prática o verdadeiro conceito de auto-gerenciamento. O melhor de tudo, porém, foi a comunicação, o feedback, o relacionamento da equipe, a alegria de acordar todo dia e ir trabalhar motivado e feliz, respeitando - a até se divertindo com - as diferenças entre as pessoas. E aprendendo muito com isso.

De eventos, participei de vários: FISL, Consegi, ..., CBSoft, Maré de Agilidade Fortaleza (como palestrante, que honra!), JavaOne Brazil. O ápice deles foi o LinguÁgil 2010. As palestras e o Boteco LinguÁgil (confira alguns videos no canal Vimeo), os altos papos com @alegomes, isso tudo me fez pensar muito, e já estamos tendo consequencias. Começamos a pensar mais "empreendedoristicamente" (não deixe de ler este post sobre a Rede Sigma), criamos o Grupo LinguÁgil, estamos organizando o Maré de Agilidade Bahia, Alagoas e Sergipe (MAREBASE) e o LinguÁgil 2011, vááárias ações de treinamento e capacitação a serem realizadas. O JavaBahia vem recebendo energia nova, pessoas motivadas querendo fazer algo diferente, o grupo precisava.

Pessoalmente, voltei a me interessar sobre poesia, música e esporte. Descobri e virei fã da banda Maglore e, para aprender suas músicas, voltei a tocar (quer dizer, arranhar) violão (outro dia ouvi no rádio: "Violão é o instrumento mais fácil de se aprender a tocar..... mal". Dei muito risada e pensei: "É igual ao PHP" - @mlalbuquerque, não resisti a essa #piadinhaLinguagil). Achei até um maluco que musicou umas coisas que escrevi e agora está me convencendo a aprender a tocar contra-baixo para fazer parte da banda (até agora só tem nós dois, nada de baterista, ainda não ensaiamos juntos nenhuma vez, nunca toquei baixo na vida - mas parece que vou conseguir um emprestado. Tem tudo para dar certo, o punk rock começou bem assim). Me dei de Natal um prancha Uri Valadão novinha, voltei a pegar minhas ondas de bodyboarding na companhia das tartarugas de Scar-Reef. Agora muito mais veloz. Eu, não elas.

Enfim, que ano rico e maravilhoso! Estou trocando o pneu com o carro andando, assim tem sido o meu sabático: dando um tempo sem sair de dentro. É possível mudar e reinventar, basta sair da inércia e se unir a pessoas com pensamentos afins. Ano que vem pretendo compartilhar neste blog muito mais sobre todo esse aprendizado que venho acumulando. Eu precisava desse tempo para processar melhor as informações e evitar escrever - muita - besteira. Bazedral Refactored, o tema será sobre o que vier na telha.

Um sabático pra você também. E feliz 2011!