segunda-feira, 6 de maio de 2013

Resenha: O X da Questão

Uma Mina de Ouro Chamada Brasil


A primeira vez que ouvi falar de Eike Batista foi naquele episódio da coleira usada por sua então esposa, Luma de Oliveira, no Carnaval de 1998. Não tinha ideia de quem ele era até assistir por acaso, e vários anos depois, um trecho de uma entrevista sua na TV (não lembro o canal nem o nome do programa). Me interessei em conhecer mais sua história até que resolvi ler seu livro.



Após morar na Europa, aos vinte e poucos anos volta para o Brasil e resolve entrar na "corrida do ouro" (esse pequeno video resume sua trajetória). Desbravou o interior do nosso país construindo minas em lugares inóspitos, muitas vezes até sem energia elétrica. A mineração fez ele ganhar seu primeiro bilhão, mas o cara usou seu conhecimento de negócios e experiencia logística para fundar o grupo EBX e competir com gigantes (como a Petrobras, por exemplo) em áreas como petróleo, energia, logística, mineração e indústria naval.



A principal mensagem que tirei do livro é que vale a pena investir no Brasil. Por ser um pais jovem, é cheio de problemas, mas também repleto de oportunidades. Com uma abordagem holística sobre negócios, a Visão 360 Graus, é possível estar atento e atuante aos mais diferentes aspectos de um empreendimento, minimizando riscos e aumentando as chances de sucesso. É arregaçar as mangas, cerca-se de uma equipe excelente e mãos à obra!




segunda-feira, 8 de abril de 2013

Resenha: O DNA do Inovador

O que será que os inovadores tem em comum?

Inovação está na moda. Essa onda de empreendedorismo e startups, aliadas ao sucesso e a competição de gigantes como Google, Apple, Microsoft, Amazon, Samsung, GE e 3M, está forçando às empresas buscarem inovar (ou pelo menos dizerem que são inovadoras).
Busquei esse livro para tentar descobrir que hábitos comportamentais os principais inovadores da nossa era tem em comum. Ler suas biografias e as histórias das suas empresas certamente ajudaria, mas o DNA do Inovador nos poupa tempo e faz essa compilação por nós.

Através de pesquisas com 500 inovadores e outros 500 executivos, os autores identificaram 5 competências de descoberta. Em primeiro lugar vemos o pensamento associativo, ou associação: a habilidade de combinar idéias, problemas e questões que aparentemente nada tem a ver entre si. As demais são: questionar, desafiando com frequencia o status quo; observar, prestando cuidados atenção ao mundo a sua volta; cultivar o networking, descobrindo e testando ideias por meio de uma rede diversificada de pessoas com backgrounds e perspectivas diferentes; experimentar, constantemente testando ideias novas.

Apesar de usar alguns exemplos já meio batidos (vários vindos da Apple, como por exemplo a ideia de Steve Jobs de criar um sistema operacional gráfico baseado em Janelas, baseado numa interface de equipamento da Xerox) as competências de descobertas são interessantes e bem explicadas, e são a base do pensamento associativo que gera ideias inovadoras.

Também gostei da parte do livro que diferencia as competências dos inovadores das dos executivos (aqueles que são orientados à realização). Me fez perceber que os dois tipos de perfil são importantes e devem ser equilibrados, mas também que é um erro crucial esperar uma postura altamente inovadora de alguém eminentemente executor. Por fim, achei também interessante a abordagem sobre o DNA de organizações e equipes disruptivas, como elas enxergam Pessoas, Processos e Filosofia. Ah, descobri que a palavra disruptiva também está na moda. Pesquisando um pouco mais, achei bem interessante a apresentação abaixo, do post Inovação disruptiva, você sabe o que é?




Um livro interessante que tem seu valor, principalmente para empresários que querem se tornar inovadores (e/ou disseminar uma cultura de inovação nas suas empresas), mas não tem a menor ideia de por onde começar. A resposta que encontrei: devem começar por si próprios, pois não existirá uma empresa inovadora sem que seu líder tenha a inovação presente fortemente em seu DNA.


segunda-feira, 25 de março de 2013

Resenha: O Poder do Hábito

Compreender o funcionamento dos hábitos é a chave para modifica-los

Tomo mundo possui algum hábito que gostaria de mudar. Perder peso, acordar mais cedo, parar de fumar, não se estressar no transito, e por aí vai. É muito comum conseguir algum êxito nos primeiros dias ou semanas, mas é muito difícil segurar um novo hábito por muito tempo. Na maioria das vezes voltamos ao antigo comportamento, cada vez mais frustrados por não termos conseguido.


O Poder do Hábito é, sem dúvida, um dos melhores livros que já li. Ele nos ajuda a compreender que os hábitos seguem um padrão, que repetimos de forma praticamente inconsciente. Todos tem um gatilho (uma deixa, algo que o dispara), uma rotina (os passos que se repetem) e uma recompensa esperada (o alvo, o estado físico/emocional que desejamos, muitas vezes de forma inconsciente, alcançar).

O autor defende a tese que não é possível se livrar de um mau hábito, mas podemos entende-lo e modificar a rotina, o miolo entre a deixa e a recompensa. Usando uma linguagem de fácil compreensão e vários exemplos concretos, fruto de muitos estudos, CharlesDuhigg nos faz perceber por que fracassamos tantas vezes. A mesma teoria dos hábitos individuais se aplica a empresas e até a sociedade. O livro é uma excelente leitura para quem quer mudar hábitos em si, ou até mesmo em suas famílias ou empresas. O pessoal de marketing também aprende preciosas lições sobre como compreender (e, portanto, influenciar) os hábitos dos consumidores.

Por fim, deixo a dica deste vídeo do próprio autor, explicando a teoria base do livro: 

fonte: http://www.skoob.com.br/estante/resenha/25896140

terça-feira, 12 de março de 2013

Tendências na Inovação em um Futuro de Conexões - 3o Dia

O terceiro dia começou com e empresa que se tornou uma espécie de "top of mind" quando se pensa em inovação. Marcelo Gandur apresentou como a 3M se organiza para criar e manter sua cultura inovadora. Conduta Ética, Excelencia Operacional e Inovação são os 3 pilares da empresa que continua se inspirando em um dos seus CEOs, William McKight. Ele trabalhou por 60 anos na 3M e é responsável pela cultura corporativa que encoraja os funcionários a terem iniciativa e coragem para inovar. É dele a frase "contrate os bons funcionários e deixe-os em paz". Na palestra, aprendi alguns novos termos que : Phase Gates, Pipeline, New Product Vitality Index, Inovação Incremental/Adjacente/Disruptiva. Gandur contou que de 300 ideias que entram, 2/3 se perdem, apenas 100 em média vão até o final. A 3M tem uma solução caseira, um sistema web que controla todos os pipelines de forma global. Para quem quer saber mais (como eu!), ele deixou as dicas do livro O Poder da Inovação - A Experiência da 3M e de Outras Empresas Inovadoras, de Luiz Serafim, Líder de Marketing Corporativo da 3M, e do portal 3M Inovação. Fui dar uma conferida neste último e me deparei com esse ótimo vídeo que mostra líderes do mundo digital incentivando a produção de código.


Luciano Possani, da Anhanguera, mostrou como a computação em nuvem vem contribuindo para aumentar a escalabilidade e a disponibilidade da sua plataforma de ensino superior. As nuvens da Google e da Amazon permitiram, por exemplo, que todos os professores e alunos tem suas contas de e-mail (aproximadamente 260 mil) e que todos os principais sistemas suportem os picos de acesso (que ocorrem, por exemplo, na época do vestibular. Também estão levando para nuvem tecnologias relacionadas a vídeo (contrataram a Sambatech, pois segundo eles a escolha aparentemente óbvia - o YouTube - carece de features mais rebuscadas) e ensino (eles usam o Moodle, e até brincam agora o chamando de "Moogle"). Fiquei impressionado com essa instituição, que ainda é pouco conhecida no Norte/Nordeste. Eles realmente sabem o que fazem e estão preparados para continuar expandindo.

Em seguida o Dr Kenneth Herd, Diretor Geral do Centro de Pesquisas Global da GE no Brasil. Morando no Brasil há 3 anos, ele foi muito simpático em ministrar sua palestra em português (usou uma pesca, para auxiliar. Perdoado.). Ele está à frente do 5o Centro de Pesquisas Global da GE no mundo, que está sendo construido no Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão. Os outros quatro estão em operação nos Estados Unidos, Alemanha, China e Índi. O trabalho do novo centro será focado em tecnologias altamente avançadas para as indústrias de óleo e gás, energias renováveis, mineração, transporte ferroviário e aviação. Os investimentos estão estimados em R$500 milhões.

A melhor palestra do dia para mim foi apresentada por Nelson Faria, Diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Rede Globo. Ele apresentou o Case i9, iniciativa que acontece desde 2009 com o apoio de uma consultoria contratada. A Globo acha que a inovação deve ser incorporada aos processo da empresa, por isso em breve a consultoria não será mais necessária. O i9 possui um ciclo virtuoso composto de 9 i's: Ideação, Integração, Implantação, Indicador, Informação, Internalização, Inspeção, Impacto e Inspiração. É um movimento voluntário que promove o intercambio multidisciplinar, sempre promovendo inovações focadas em Qualidade ou Produtividade. A Expo i9 é uma exposição dos projeto mais inovadores, uma oportunidade da equipe do projeto apresentar sua ideia para toda a empresa, inclusive podendo levar seus familiares. Na Globo, quem dá a ideia tem que fazer parte da equipe projeto de execução. Seguindo a tendencia da inovação aberta (open innovation), a Globo lançou o O Seu Talento na Rede Globo, durante a Campus Party 2012, selecionando os 5 melhores projetos para serem apresentados na Expo i9. Inovação com criatividade, essa receita a Globo já descobriu como fazer. Quer saber mais? Olhe esse artigo em PDF que achei googleando sobre o i9: Novo Modelo de Gestão de Inovação em uma Empresa de Serviço de Entretenimento. Foi de lá que exraí a figura abaixo, que ilustra o modelo.

A palestra seguinte foi do prof. Mário Salerno, coordenador do Laboratório de Gestão da Inovação da USP. Junto com o doutorando Leonardo Gomes eles falaram sobre Gestão de Incertezas, uma abordagem interessante e diferente da Gestão de Riscos que estamos acostumados. Como apostar em projetos inovadores tem tudo a ver com incertezas, acho que é um assunto que tem tudo para ganhar espaço. A palestra foi extremente interessante, mas trouxe muita informação (os acadêmicos tem esse poder de nos encher delas rsrs). Esta apresentação de Leonardo sobre Inovação Radical em Empresas de Base Tecnológica dá um visão geral sobre seus principais interesses de pesquisa. A USP está levando o assunto a sério e está buscando preencher as lacunas existentes na literatura sobre inovação. A principal mensagem que tirei da palestra foi "nós podemos governar a mudança: criar e influenciar o futuro", ao invés de ficar apenas esperando que outros determinem qual será o nosso futuro.

Leandro Roca, Diretor de Inteligencia do Negócio da Telefônica Vivo, mostrou várias iniciativas na linha da Customer Driven Innovation, mais um termo novo para meu backlog. Além de vários produtos e apps interessantes, gostei aceleradora de startups Wayra, que possui edições em vários países da América Latina e Europa. A academia de São Paulo, segundo seu site, é um "espaço cujo objetivo é reunir os empreendedores participantes do Wayra Brasil em um local comum, onde o intercâmbio de experiências e a efervescência de ideias componham um ecossistema favorável à inovação. O ambiente, de 1.200 metros quadrados, conta com um layout concebido para incentivar a interação entre os empreendedores e é equipado com conexão ultrarrápida à internet, sala de jogos e até uma área de relaxamento para aqueles que varam noites para tornar seus projetos realidade". Interessante, hein?!


As palestras restantes foram do INPI e FINEP mostraram que o Brasil vive um cenário favorável à inovação, mas ainda tem muito caminho pela frente, principalmente no que diz respeito ao direito de propriedade intelectual e a redução da burocracia para conseguir financiamento público para projetos inovadores.  Lei de Licitação, Lei do Bem, Lei da Inovação, Plano Brasil Maior, Institutos de Fomento á Pesquisa, ..., o ecossistema é um emaranhado de instituições e leis. Desatar os nós e fomentar a inovação no país é um desafio em tanto e de tantos. O governo está sensível e antenado ao assunto. Vamos acompanhar, e fazer nossa parte.

Considerações Finais

Saí com a cabeça fervilhando, orgulhoso por ser brasileiro e ver o quanto as empresas presentes já avançaram na inovação, muitas com destaque internacional. Muitos termos novos e ótimos exemplos de empresas reconhecidamente inovadoras. Pipeline, Phase Gates, Open Innovation, Customer Driver Innovation, Design Thinking, e por aí vai. Comecei meus estudos pelo livro O DNA do Inovador (em breve escreverei aqui a resenha) e já tenho em mãos A Bíblia da Inovação, de Philip Kotler e Fernando Trías De Bes. Acho que adquirir os conhecimentos básicos para "falar a mesma língua desse povo" é fundamental. Importante destacar que tudo começa na estratégia, portanto não adianta sair correndo para implantar programas e processos de inovação na empresa sem saber exatamente onde se quer chegar. É definir o destino e começar a caminhada..

Por fim, quero deixar aqui o meu agradecimento ao Serpro pela oportunidade em participar de um evento tão rico em informações e em networking. A MarcusEvans está de parabéns pela organização, estava tudo impecável.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Tendências na Inovação em um Futuro de Conexões - 2o Dia

O segundo dia de evento também começou com um workshop. Carlos Eduardo Pereira (UFRGS) fez uma análise geral da inovação com foco na relação Empresa - Universidade, deixando claro o "gap" que existe no Brasil entre as demandas tecnológicas das empresas e os resultados das pesquisas acadêmicas. O modelo mental dominante é que para os empresários, muitos acadêmicos são os "malucos, desconectados da realidade". Para os acadêmicos, as "demandas das empresas são muito triviais, pouco desafiadoras". Carlos deu exemplos de outros modelos internacionais bem sucedidos, como na Coréia e Alemanha. A mensagem que ficou para mim foi que Universidades, Indústria, Institutos de Pesquisa, Governo, ..., todos tem muito trabalho a fazer. E devem evitar alguns equívocos: a) terceirização de P&D é possivel; b) Projetos com universidade são de baixo custo; c) Universidades devem focar em inovação; d) Patente é sinônimo de competência.

A parti daí começaram as palestras. Vou tentar ressaltar os assuntos que mais me chamaram atenção. Mario Fioretti, da Whirlpool, nos mostrou um pouco sobre a empresa privada que é lider em deposito de patentes no Brasil. A inovação para eles suporta um dos pilares do Planejamento Estratégico. Uma equipe de 5 pessoas faz parte do time de inovação, com o papel de fomentar a cultura e cuidar do processo, atuando como facilitadores nos projetos. O processo interno deles é conhecido com "Duplo Diamante" e envolve Foco, Descoberta, Desenvolvimento de Oportunidades, Checagem ("let's check!") e Execução. Gostei bastante da abordagem que foi responsável, por exemplo, pela criação de uma lavadora de roupas que tem apenas um único botão e é a mais rápida do mercado (eles focaram em desenvolver uma bomba d'água mais veloz). Dona de marcas consagradas como Brastemp e Consul, inovar constantemente é fundamental para que eles permaneçam entre os tops deste negócio tão competitivo.

André Serpa, Regional Enterprise Sales Lead da Google Brazil nos mostrou que a forma que trabalhamos mudou radicalmente nos últimos 3 anos. A Google aposta na internet e na computação em nuvem, com várias soluções gratuitas ou de baixo custo, que servem de empresas individuais até as grandes. O Google Apps agrega vária dessas soluções. Ficou claro que a Google Brazil precisa investir em marketing para se tornarem mais conhecidos. Eu realmente acredito nessa tendencia que pode economizar muito esforço, tempo e custo, principalmente das pequenas e médias empresas. Assim, elas se preocupam menos com TI e podem investir mais em seu Core Business e como criar e manter uma cultura de inovação.

Antes do almoço, a Syngenta nos deixou bastante preocupados com cenário do alimento no mundo, mostrando o descompasso que existe entre produção e consumo. A inovação nessa área é  um grande desafio, pois envolve produzir mais alimentos em cada vez menos recursos naturais (no planeta vai faltar cada vez mais água!). Pesquisa e Desenvolvimento na área agro-pecuária custa caro e leva tempo. Preocupado, tomei suco e comi muita salada.

Durante a tarde tivemos a Embraco, empresa do grupo Whirpool especialista em compressores de alta eficiência  Eles ressaltaram a importância que desenvolver pessoas, além de ciencia e tecnologia, representam para a inovação. Destacaram a forte concorrência que vem da China. Se não dá para competir com eles pelos custos reduzidos de produção, não há outra alternativa além de inovar para continuar sendo o número 1.


A IBM esteve mais uma vez presente mostrando as tendencias na tecnologia para os próximos anos. Social, Big Data, Computação em Nuvem e Mobilidade são as 4 tendencias principais. A palestra foi bem abrangente, foi difícil fazer anotações. Interessante que eles destacaram um produto deles mesmos, o IBM Watson, o supercomputador que pretende encontrar resposta para qualquer pergunta usando inteligencia artificial. Me pareceu meio uma jogada de marketing, de jogar confete em si próprios. Os interessados nas tendencias para o futuro podem dar uma olhada nesta matéria da Humantech, O estudo completo pode ser encontrado nesse link.

A Suvinil é o único produto da BASF focado diretamente no consumidor. Eles tem vários programas interessantes, como o Premio Suvinil Inovação e o Innovation Day. Eles vem ganhando sucessivos premios de empresas inovadoras.  Envolvendo 1. Processo de Geração de Ideias; 2. Triagem de Ideias / Priorização; 3. Feirão de Ideias; 4. Testes com Consumidor; 5. Pipeline e Funil da Inovação. Fiquei curioso em conhecer melhor suas prática e processos, pois parecem muito bem estruturados.

A melhor apresentação do dia, na minha opinião, foi feita por Ivan Passos, o Itaú Unibanco. Usando princípios de Design Thinking ele mostrou como a divisão de inovaçaõ e educação financeira do banco vem se estruturando para lançar produtos novos sempre com o foco na experiencia dos seus usuários (UX). Vindo da área de software, tendo morado alguns anos no Vale do Silício, é clara a afinidade de Ivan com Desenvolvimento Ágil e Lean Startup. Eles tem feitos ciclos semestrais de palestras estilo TED Talks, no evento Insights. Também tem conversas quinzenais com convidados, sobre temas ligados a inovação. Tem também o Challenge, um processo de inovação que permite o desenvolvimento de projetos com equipes multifuncionais, inclusive com premios para seus autores/participantes. Passos destacou a fundamental importância do patrocínio da alta direção, cujo investimento em inovaçaõ já se pagou (a partir do 3o ano). Fique tão interessado que anotei pouco durante a palestra, mas se pudesse escolher uma das empresas deste primeiro dia para visitar, seria o Itau. O video abaixo é fruto de um dos projetos do Challenge e está diponível no canal Itaú Invista do YouTube. Uma forma muito inovadora de ensinar sobre o quanto devemos poupar para ter um futuro confortável.


Para terminar o dia, Daniela Grelin, Gerente de Comunicação Corporativa da DOW Brasil nos mostrou como inserir uma cultura inovadora e ressaltar o papel da liderança no processo. Numa empresa onde 30% das vendas são de produtos introduzidos nos últimos 5 anos, podemos ter uma ideia do quanto a inovação é fundamental. Me chamou atenção que, diferente das demais, na DOW não existe um departamento ou um grupo de pessoas que tratam apenas de inovação. Segundo ela, "a inovação é um esforço, não um departamento". Eles tem o innovation@dow Challenge e o Innovation Award, iniciativas que envolvem inclusive jurados externos, mas que partem de um desafio proposto (segundo eles, isso aumenta o engajamento das pessoas). Chegar no nível da DOW leva algum tempo, isso ficou bem claro. É melhor começar logo...

quinta-feira, 7 de março de 2013

Tendências na Inovação em um Futuro de Conexões - 1o Dia

Tive a excelente oportunidade de participar deste evento promovido pela Marcus Evans, de 26 a 28 de fevereiro em São Paulo. É um evento intencionalmente organizado para no máximo 40 participantes, a grande maioria envolvidos com Inovação em empresas reconhecidamente destacadas neste segmento. Formado por workshops e palestras, num ambiente favorável ao networking e a troca de experiencias, o   evento foi realmente excelente. Compartilho aqui os principais destaques, na minha opinião.

1o Dia


Foram 2 workshops à tarde. Fábio Barcia, da empresa Polinova, nos mostrou todo o processo de criação e venda para um concorrente da massa epóxi Dupla Dinâmica, uma espécie de "durepoxi colorido". Nascida numa incubadora da UFRJ, a empresa se deparou com a problemática de levar um produto inovador ao mercado, em larga escala. Fábio nos mostrou as 7 etapas etapas necessárias até a concretização da venda: Desenvolvimento/testes do produto em laboratório, Documentação Técnica, Identidade Visual, Pesquisa de Mercado, Plano Comercial, Sugestão de Portifolio e Fidelização e Elaboração do Documento Final de Venda. Um trabalho muito bem feito de estruturação de informações que permitiram ao investidor ter contato mais palpável com aquela inovação. Segundo a sua percepção, "o tato é o sentido mais importante para o investidor acreditar na inovação". Se ele puder ver, tocar, experimentar, tem mais chances de acreditar e pagar o preço. Ficou evidente que Fábio preferiu vender sua criação para vê-la por todo Brasil, sob a marca da Viapol. Para isso é importante "se livrar da paixão pela inovação". Perguntado sobre como se sentiu, se frustrado ou feliz, ele respondeu "50 / 50".

Era o dia dos Fábios. O Gandour, cientista chefe da IBM, nos explicou de forma bastante descontraída sobre como a gigante estrutura seus processos de inovação. Foi envolvente quando Fábio contou um pouco da sua história de vida: após 10 anos de cirurgia infantil foi apresentando ao computador, se apaixonou pela informática e foi para a IBM, inicialmente trabalhar com pesquisas na área de saúde. Excelente orador, Fábio enfatizou bastante a importante da usabilidade: "só se inova se for útil para as pessoas". Para a IBM, a equação correta é inovação = invenção + usabilidade (diferente de outros que acreditam que inovação = invenção + visão). Foi impressionante descobrir o quanto a IBM investe em patentes, mantendo uma forte estrutura para tanto. O investimento é justificável, pois o licenciamento de patentes tende cerca de US$1.8 bilhões/ano. Foi marcante também uma outra mensagem: "algumas empresas precisam inovar de fato, outros só precisam dizer que são inovadores". Em outras palavras, algumas empresas realmente devem adotar um Programa de Inovação, para outras basta apenas de um Programa de Marketing ou Comunicação. Por fim, fiquei curioso em saber mais sobre programa Next 5 in 5, onde a IBM busca prever quais são as invenções que mudarão o mundo nos próximos 5 anos. Achei muito legal esse video sobre Cognitive Computing que gostaria de compartilhar:


Os dois workshops mostraram visões complementares. Uma pequena empresa com um excelente produto, que precisou extrapolar as questões técnicas para conseguir levar sua inovação ao mercado. Uma grande multinacional que já tem processos estruturados e orçamento para tratar inovação e propriedade intelectual. Pela riqueza de informações do primeiro dia dava para imaginar o que restante do evento prometia, e muito.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Resenha: O Gerente Minuto

Trace objetivos curtos e claros, dê sempre feedback positivo e negativo

Meu pai tinha esse livro, eu já tinha lido há muito tempo. Lembrei dele por causa de alguém da minha rede de relacionamento que precisa desenvolver habilidades gerenciais. Comprei, reli e dei de presente.

Esse livro é um excelente começo, pois é simples, direto e seus resultados muito eficazes. Basicamente trata de alinhar expectativas, estabelecendo objetivos curtos e claros (os Objetivos Minuto), e corrigir rumos, dando feedback positivo (Elogios Minuto) ou negativo (Repreensões Minuto) sempre que necessário. Parece óbvio, mas na prática é muito difícil exercitar. A gente quer que as pessoas adivinhem o que queremos, ou pior, que façam as coisas do jeito que nós faríamos. Delegar não é isso.

O feedback negativo é temido por muitos. Para quem dá e quem recebe. O autor desmistifica as Repreensões Minuto, encarando-a como algo extremamente natural e necessário. Não precisa ser um sermão nem de uma "cerimônia". Basta dizer qual foi o comportamento observado (o fato), como você se sentiu quanto a isso (emoções, sentimentos, percepções) e como você gostaria que a pessoa tivesse agido. Sem julgamentos, o feedback é um presente que objetiva o crescimento do outro.

Uma parte muito legal fala de "flagrar as pessoas fazendo algo de bom". Nós temos um olhar muito crítico para encontrar e apontar problemas e defeitos, mas um bom líder (um bom pai, um bom marido, ...) precisa estar atento às coisas boas e deixar claro que percebeu. Não precisa necessariamente com palavras. Um olhar, um toque no ombro, um gesto. Quem não se sente bem em ser elogiado!?