quarta-feira, 28 de maio de 2008

Coopetição, solução sim!

Demorei mais do que deveria para esse novo post. E não foi por falta de vontade, nem de tempo (tempo é uma questão de prioridade!). Foi por indecisão mesmo. Chegamos num ponto já suficiente, acho, para compreender em linhas gerais o que vem ocorrendo com o fortalecimento do Software Livre e o "fenômeno" (não aquele!) Web 2.0. Pensei em vários títulos e temas, mas só nessa semana veio "o estalo".

Estou lendo o livro sobre a história do Google. Simplesmente fantástico saber um pouco mais sobre essa empresa que tem como carro-chefe uma ferramenta de busca altamente eficiente e bem-humorada. Num trecho que fala dum acordo de cooperação entre Google e Ask Jeeves (hoje Ask.com), duas supostas concorrentes. Daí veio o termo "coopetição". Esse acordo é um exemplo de que é possível competir e cooperar ao mesmo tempo. Mas não vou explicar os detalhes, sugiro a leitura do livro!

Mas, e o que isso tem a ver com o Bazedral? Bom, estamos tentando descobrir meios de trabalhar colaborativamente dentro das empresas. A partir de agora vamos discutir como isso é possível. Não tenho a petulância de procurar verdades absolutas, mas vou emitir minhas opiniões com base em experiëncia prática, algum estudo e boas leituras.

Tomando como exemplo as áreas ou departamentos de uma organização, vamos pelo raciocínio inverso: O que impede o trabalho colaborativo? Citando apenas alguns fatores: Falta de direcionamento claro da alta direção; processos ultrapassados, burocráticos e não integrados; comunicação pouco eficiente; ferramentas de trabalho ruins, desintegradas ou inexistentes; deficiências na capacitação gerencial; ambiente de trabalho pouco favorável à criatividade e inovação; cultura do "manda quem pode, obedece quem tem juízo"; falta de delegação; muitos níveis hierárquicos; clima organizacional ruim.

Se diz que toda equipe reflete o comportamento do seu líder. É como filhos que copiam os pais. Acho que a frase é de Einstein: "O exemplo não é uma das formas de educar; É a única.". Se o líder condena o erro, ao invés de encará-lo como oportunidade de aprendizado e melhoria (isso também não quer dizer "passar a mão pela cabeça"), investe pouco em capacitação (própria e do time), não se preocupa com qualidade/efetividade da comunicação, dá mais importância a processos do que a pessoas, o que podemos esperar da equipe? As chances são muito grandes de se preocuparem "apenas com o meu pedaço". Setores que deveriam ser parceiros, viram concorrentes, cada um querendo indicadores de desempenho melhores do que os outros, escondendo o jogo para ficar "na vantagem". De que adianta um departamento de engenharia maravilhoso se as vendas estão despencando? É preciso buscar a visão de unidade, todos alinhados em prol das diretrizes/metas da empresa.

Medições e análises em diversas escalas (desde as equipes pequenas, até os setores e departamentos) são, certamente, muito importantes para melhorar a tomada de decisões e alavancar os processos de gestão. É sadio haver uma certa competição, cada um tentando superar seus próprios limites, desde que não se percam os objetivos maiores. Quem, nos tempos de colégio, nunca comparou seu boletim com um colega e ficava torcendo para ter uma nota superior? Isso muitas vezes nos impulsionava a estudar até um pouco mais, né? Normal, mas desejar que o colega perca o ano ou fique em recuperação já é um pouco demais...

Nas comunidades de software livre também existem pessoas (líderes e liderados), portanto, egos, vaidades, orgulhos, expectativas, frustrações, mau-humor, problemas pessoais, crenças, religiões. Também há competição por quem produz o melhor código, ou quem é o mais carismático, ou quem apresentou a melhor idéia. Mas há, em geral, uma certa pré-disposição bem maior em colaborar. Por que na empresa tem que ser tão diferente?! Será medo de errar e ser punido? Será o medo de "entregar" o conhecimento a outro e tornar-se inútil para a empresa? O importante não é tanto o quanto se sabe, mas a rapidez com que se aprende...

Enfim, acredito que a coopetição deve ser estimulada e constantemente monitorada. Aos primeiros sinais de competição destrutiva, ações imediatas do corpo gerencial. A equipe espelha seu líder. Colabore, comunique, aceite sugestões e críticas, peça desculpas, cobre e aceite cobranças, busque ser transparente. Dê o exemplo! Sua equipe está de olho em você...

6 comentários:

Viviane Malheiros disse...

Google: excelente exemplo! Já viu essas fotos?! http://gizmodo.com/376603/googles-zurich-hq-office-fun-for-everyone-who-works-there-anyway

Um outro bom exemplo é a Pixar, empresa de animação, mas tão cheia de programadores que poderia ser considerada de desenvolvimento de software: http://www.pixar.com/companyinfo/history/1987.html

Coopetição é uma idéia interessante. E, além do estímulo(ou exemplo) de um líder, precisamos de uma cultura favorável. Com uma cultura do "ser mais esperto" é mais difícil crescer essa colaboração.

Rodrigo Fagundes disse...

Fora do mundo do software, as empresas começam a enxergar essa "saída" - buscar geração de valor através de associações/cooperações, muitas vezes com concorrentes.

Um trampolim para investigar essas associações, chamadas no Brasil de Arranjos Produtivos Locais, é:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arranjo_produtivo_local

cassioso disse...

Ola Serge,

Muito interessante este post!

Ainda não sei o que pensa para o próximo post, mas talvez seja interessante abordar uma visão mais indivudal.

Algo sobre perfil, comportamento e postura!

Em suas literaturas viu algo legal sobre isto? Poderia indicar algo?

Hum.. A importancia do indivíduo para as organizações. É, vou ao google!

Felicidades.

Serge Rehem disse...

Aos que fizeram comentários, obrigado pelas contribuições!

Interessante a idéia de procurar uma visão mais individual. Como sugestão de leitura, assim de "bate-pronto", me ocorreu o best-seller O Monge e o Executivo. Embora ele aparentemente foque no "líder servidor", seus princípios se aplicam a qualquer pessoa e extrapolam o campo profissional. Se a gente tiver em mente que nossa missão é servir, da melhor forma possível, talvez comecemos a colaborar mais.

Pensarei mais sobre isso...

Thiago Arrais disse...

Os fatores citados não impedem a colaboração, felizmente. Eles dificultam bastante, mas gente já voltada para o trabalho colaborativo vai tentar cooperar com os demais mesmo dentro de uma organização cheia de processos prescritivos e sem nenhum incentivo dos superiores. Mas estes casos não são nem os mais comuns nem os mais importantes. Para a maioria dos coletores de contra-cheque (gente que bate ponto de oito às cinco e fazem o estritamente necessário para conseguirem o contra-cheque no fim do mês), estes fatores são realmente impeditivos. Eles precisam de incetivo para se mexerem, são movidos a isso.

A solução mais óbvia, é claro, é não contratar coletores de contra-cheque. Mas isso nem sempre é possível. Não dá pra fazer um teste para filtrá-los dos demais: você nem mesmo pode instituir um período de avaliação porque as pessoas podem simplesmente não serem elas mesmas durante este tempo. A próxima solução óbvia é demitir os coletores de contra-cheque assim que eles sejam desmascarados, mas isso não é sustentável. No fim das contas, precisamos dar um jeito de inspirar até mesmo estes casos perdidos (porque inspirar quem já está inspirado é fácil demais). Eliminar estes fatores é só o primeiro passo.

(Por falar no assunto, que livro livro sobre a história do Google é esse? Há algumas dezenas por aí afora...)

Serge Rehem disse...

Thiago, obrigado pelas contribuições! O livro que li é Google a História do Negócio de Mídia e Tecnologia de Maior Sucesso dos Nossos Tempos: http://compare.buscape.com.br/procura?id=3482&raiz=3482&ps=1&kw=Google+-+A+hist%F3ria+do+neg%F3cio+de+m%EDdia+e+tecnologia&flagonline=0&estado=0